Arquivo de novembro 2008

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Seja mais pessimista. Esta foi a frase martelando em minha cabeça essa semana, depois de assistir um seminário no meu trabalho. Palavras de Sêneca, um grande escritor e intelectual do Império Romano.

Sêneca dizia que a raiva é um problema filosófico, e como tal, precisaria ser tratada com argumentos filosóficos. Quando sentimos raiva, geralmente é por alguma frustração, algo que não saiu como esperávamos. Desta forma, é como se ficássemos surpresos quando algo dá errado. Com a surpresa vem a frustração, e com ela, a raiva.

Os seres humanos são muito otimistas, a essa conclusão o filósofo chegou. Realmente acreditamos que tudo vai dar certo, que teremos o que quisermos e como quisermos. Mas a vida não é nem justa, nem previsível. Estes pensamentos me fizeram refletir, e perceber o quanto meu otimismo é negativo, quando deveria ser o contrário.

Creio que ser pessimista com relação ao mundo não é ter uma vida amarga, pois como diria o pensador, estar preparado psicologicamente para as adversidades pode evitar que sejamos tomados pela raiva. A raiva por si só é prejudicial, e pode levar qualquer um a cometer atos impensados, agressivos.

Com estas palavras, Sêneca queria nos mostrar que a maioria das adversidades com que temos que lidar no cotidiano não são passíveis de controle, não podemos nem devemos nos frustrar com coisas que estão fora de nosso alcance. Segundo ele, a vida seria uma carroça e cada indivíduo um cão amarrado a ela. Para onde a vida vai, o indivíduo precisa ir, mesmo que seja para um destino indesejado. Porque quer queira ou não, ele chegará ao destino, mas se lutar, espernear, certamente chegará lá enforcado.

Quanto ao pessimismo, penso que tem seus benefícios claros. Veja bem, o que seria dos otimistas se não fossem os pessimistas? Não teríamos tecnologia para tentar prever desastres, nem sistemas de segurança, e o que dizer do capacete?

Mesmo o mais otimista dos seres humanos não correria descalço por um terreno baldio em sã consciencia.

Sejamos um pouco mais pessimistas. Não é tão difícil.

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Como tem gente cara-de-pau nesse mundo, não é gente? Quer exemplo melhor do que um cambista? O infeliz compra vários ingressos para um evento e vende depois por valores bem maiores. Não sei quanto a vocês, mas quando fico sem ingresso e vejo um cambista vendendo o bendito pelo dobro do preço, tenho vontade de bater nele com um gato morto, até ele miar. O gato, não o cambista.

Tudo bem que é uma maneira rápida e fácil de ganhar dinheiro, assim como ocupar um cargo político, mas cadê os escrúpulos? A prostituição ainda é uma profissão mais digna, pois é justa, e o cliente se dá bem. No cambismo, ao contrário da prostituição, quem leva o ferro é o cliente (exceto quando o cliente é o Ronaldo Fenômeno, que gerencia várias bolas em campo).

Esse lance de oferta e procura me faz refletir. A coisa está ficando cada vez mais moderna, pois quem procura acha, e se não acha, pode encomendar por delivery. Se não chegar em 25 minutos, você não paga. Não paga, mas pega. E se pega, não procura. Se não procura, vem a oferta. E garanto: é tentadora.

Mas a tentação é assunto de um artigo inteiro.

E não é que eu demorei muito para voltar ao Papos? Acontece, acontece.

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